Comentando: Shigatsu wa Kimi no Uso #10

(252)

Que Shigatsu vem se mostrando uma obra eficaz em sua execução e emocionalmente arrebatadora, parece não ser novidade para ninguém e que quando eu aperto o play, já preparo meu coração para um onda de sentimentos impossíveis de serem contidas, também não é surpresa para mim.

(69)

Nesse episódio em especifico, vemos mais uma vez Kousei sucumbindo a sua deficiência em ouvir as próprias notas tocadas no piano, é um sentimento rotineiro na série e não é surpresa para ninguém que ele se sente totalmente incapaz de executar qualquer partitura em público, sem se lembrar da sombra de sua mãe, que o persegue desde sua morte. Alias os sentimentos que ele nutre pela mãe, são tão contraditórios, mistos e densos que fica até difícil dizer com precisão como ele se sente em relação a ela, que o abusava verbalmente, que o machucava e apesar de tudo isso ele ainda continuava ali, ao lado dela, dando o seu melhor para vê-la sorrir e se orgulhar. Em um dado momento ele, sangrando, enfim despeja tudo aquilo que sente sobre ela e ela parece entender. Me intriga muito saber como ela se sentia e enxergava o que fazia com o filho, acredito que o ser humano é complexo demais para dizer que ela só era má e a série deixa nas mãos do espectador julga-la como bem entende, principalmente depois de um flashback no episódio 11. Não me parece que ela foi esse monstro todo, mas né, é só o que eu acho.

(51)

Confesso que ver o Kousei indo fundo a toda aquela angustia e desespero me fez segurar a respiração, principalmente quando todos os personagens começaram a falar que ele iria parar de tocar e que já estava desclassificado. Senti a tensão no meu rosto, como expectador eu queria vê-lo sair daquele oceano profundo e mudo o mais rápido possível, mas ai me lembrei que as vezes é necessário mergulhar até o fim da angustia, do medo e da dor para depois conseguir enxergar a superfície com mais clareza, o documentário Elena, da Petra Costa, é basicamente sobre isso – e é tão intenso e maravilhoso quanto. É maravilhoso acompanhar a transição de sentimentos durante a sua apresentação, estávamos acompanhando ali o nascimento de um novo Kousei, que precisou abandonar a sua antiga motivação ( que no caso era agradar a sua mãe ) e encontrar uma nova. Acho bonito e poético essa coisa de se “escorar” em alguma coisa ou alguém, para conseguir continuar,seja lá o que você queira continuar, mas é muito arriscado e até tolice. Ele estava tocando para ela e por ela (Kaori), no entanto, e se ela estiver mais ali? (spoiler) Pelo visto isso vai ser outro tópico importante na série.

(243)

Engraçado foi notar que a Emi, percebeu com precisão todo o conflito mostrado pelo Kousei que ao terminar a apresentação deixou a platéia confusa e estática. Ele estava ali, se despindo através da música, mostrando quem ele era e quem ele estava disposto a se tornar, afinal, como o próprio Kousei disse, ele está em uma jornada.  Eu acredito e muito nesse tipo de arte, na verdade qualquer coisa que seja feita com esmero e verdade, ressoa forte em quem vê, seja em um texto, uma ilustração, uma peça musical ou teatral, filme, série, animação e até um diálogo.

Anúncios