Comentando: Selector Infected Wixoss

Selector Infected WIXOSS - OP - Large 01

Falar de Wixoss sem tentar compará-lo ao homônimo Madoka Magica pode ser um grande desafio, já que pelo visto a autora\roteirista Mari Okada teve overdose de Madoka pra compor duas de suas personagens, que são versões menos atraentes da Sayaka – no caso é a Yuzuki (Ayane Sakura) –  e a protagonista Ruko (Ai Kakuma) que lembra a Madokinha -.Eu gostaria de resenhar os três primeiros episódios de uma vez, já que a bomba maior de Madoka surgiu no terceiro episódio com a Mami sendo decapitada pela Charlotte, mas o segundo episódio me deixou um pouco desapontado, então quem sabe o terceiro não mereça um post só pra ele? Vale lembrar também, que ele não é o primeiro Mahou Shoujo com ares de Madoka Magica, tivemos ano passado Genei no Kakeru que desembestou para um final péssimo e não chegou a se tornar uma história muito expressiva, que apesar de uma arte bonita, a direção e o argumento eram bem medianos.

Selector Infected WIXOSS - 01 - Large 01

Pra ser bem sincero eu detesto fazer sinopse e resumo das coisas então segue o link do MAL da série pra você se inteirar sobre o que eu vou dizer, porém sugiro que assista os dois episódios primeiro. Dito isso, vamos ao que interessa.

O primeiro episódio me surpreendeu pela sua naturalidade e fluidez, que parece ser uma das excelentes características da escrita da Mari Okada – vide Nagi, que apesar de alguns episódios relativamente chatos, a sensação de fluidez e de que “tudo está acontecendo como deveria acontecer” se sobressaiu durante toda a execução da série -.Tudo bonito, tudo indo bem, fiquei completamente imerso no primeiro episódio, a OST\BGM composta por Yoshikazu Iwanami é o ponto mais forte, mais preciso e bonito da série até agora. É denso na medida certa. A direção é acertiva, e sabe como caminhar, mas não é nada para se admirar. O visual não é o mais bonito, mas cumpre o papel de remeter à um anime a la Yui -gi- oh!. Que no final das contas parece ser a maior pretensão da obra em si, um card game de garotas, subvertendo de uma forma bem óbvia esse gênero que não é mais tão atrativo assim. E vendo por essa ótica, esse projeto é sim ambicioso, mas finge que não quer ser. O que diferencia dos card games padrões é que aqui, não parece interessar muito os tipos de cartas, estratégias de batalha ou coisas relacionadas ao game em si, o que soa óbvio já que eu disse que a série pretende subverter esse gênero, isso é ótimo, pelo menos para mim, que busco outras coisas quando acompanho uma obra assim. Meu maior receio quanto ao colocar garotas em um gênero originalmente “masculino” com cargas pesadas de drama e tensão psicológica é que ao invés de se tornar crível, se torna risível ou melodramático demais. Mulheres e garotas, em um contexto geral, são mais emotivas e isso é quase sempre explorado de forma ruim ou over demais por certos autores, e em Wixoss isso já quase aconteceu no episódio 2, só não derrapou totalmente, pela tensão que foi criada pela ótima e já citada OST\BGM.

Selector Infected WIXOSS - 01 - Large 32

O Sonho da Ruko, no episódio 1, todo catastrófico e bizarro, me levou aos episódios finais de EVA. Nada me tira da cabeça que aquele monstro que parecia a Lilith\Rei é a Tama, mas isso é só uma especulação de muitas que já se passaram pela minha cabeça. Já se nota que as LRIG, que são os avatares das jogadoras, agem de forma totalmente oposta a personalidade das garotas e acredito que isso possa ser relacionado ao o que elas realmente são por dentro, como se elas externassem através de seus avatares suas reações e ações genuínas, um “verdadeiro eu”. Posso estar enganado.

Selector Infected WIXOSS - 01 - Large 07

O episódio 2 começa com coincidências, com introdução de personagens novos e interessantes até certo ponto, com um drama que não me convenceu muito e com uma briga prematura, com um diálogo pesado entre Yuzuki e Ruko e que soa totalmente deslocado da situação. Tá certo que ela ficou lá toda irritada ao ver o irmão com a moça da loja e só descontou a raiva na Ruko, mas o que e como ela disse, pra mim, foi ridículo. Você faz amizade com uma pessoa em um dia e no outro já tá brigando com ela, dizendo que ela é indiferente aos outros – sendo que ela não é – e vomitando umas frases de impacto, só porque está puta revolts? Calma ai amiga, não é bem assim. Calma ai Mari, não é desse jeito que se faz. Se foi uma referência a briga da Sayaka com a Madoka, fica ai para vocês um bom exemplo de como construir um bom roteiro que te leva até o momento do conflito e que faz isso com precisão e eficiência, com um roteiro que precisa de um conflito para falar uma coisa “fodona” e de “ peso”. Fica ai meu desapontamento com Wixoss nesse 2 episódio, que para mim, soou bem irregular e apressado, coisa que o primeiro não mostrou em momento algum. Não foi a melhor estreia, mas foi uma boa estreia. Vamos aguardar o terceiro episódio e ver se as coisas melhoram.

 

Anúncios