Shingeki no Kyojin – 1

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O que falar desse animu que mal chegou e já considero pakas? É nessa frase mais reciclada que plástico de garrafa pet, que eu sintetizo o que eu senti ao ser completamente arrebatado por esse primeiro episódio suntuoso. Deixo aqui também registrado a dor de cotovelo que a Shonen Jump sentiu ao descartar essa obra, logo após seus volumes terem muitos zeros em suas vendas e imagino que Hajime Isayama  está sentado em uma poltrona muito confortável em sua casa e rindo na cara do recalque.

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O mangá de Shingeki já tem 10 volumes lançados  e é um sucesso no Japão, ficou em entre os 10 primeiros mais vendidos, passando à frente de Bleach em 2012. A direção da série animada fica por conta de Araki Tetsuro, aquele cara que dirigiu o aclamado Death Note, o hateado Gulty Crown – motivo pela qual muita gente torceu o nariz quando soube que seria ele o diretor –  e fez um trabalho satisfatório em HOTD. Claro que ainda é o primeiro episódio, Gulty Crown também teve uma excelente estréia, mas dadas as devidas proporções que o roteiro original apresenta, acho dificil ele fazer merda. Difícil, não impossível.

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A primeira coisa que fiz depois de assistir ao episódio foi ir dar uma conferida no mangá, que eu até sabia da existência, mas nunca tive interesse de acompanhar. Tive uma surpresa bem estranha e entendi os motivos da Jump ter rejeitado a série. Entendi, entretanto não concordei. O traço por ser inconscistente e em diversas vezes meio rabiscado causa estranhamento de ínicio, mas isso logo passa e acaba se tornando uma peculiaridade que caracteriza estética da obra, tanto caracteriza que é usado na versão animada. Aonde eu quero chegar com tudo isso? Quero chegar ao ponto em que a versão animada elevou totalmente a qualidade da obra, tanto em termos estéticos quanto em grandiosidade.  A aparente falta de habilidade de Isayama em desenhar certos quadros em grande parte do mangá, deixa escapar o ares épicos e trágicos que o primeiro episódio reforça com maestria, graças a sensibilidade de Tetsuro em fazer vários takes abertos mostrando a colossal barreira e a enorme cidade que a mesma protege, com uma minuciosidade que no mangá não existe. Em contra ponto o detalhamento de expressões  e o enquadramento de rosto foi bem aproveitado na série animada, com óbvio embasamento na impressa, fazendo pequenas alterações para melhor em certos momentos. Isayama mostra todo potencial de sua arte retratando com exuberância os gigantes e o momento da invasão, porém ainda assim seu traço continua soando amador.

014As cenas de ação são alucinantes e a BGM é indiscutivelmente arrebatadora e cai como luva para a proposta da série. As linhas grossas que soam cartunescas, me fizeram remeter a algumas animações ocidentais, me dando uma certa impressão – se não for de fato o caso – de que a série veio para se consolidar não só no oriente, mas para agradar um público maior e menos restrito que os otakus ocidentais e isso me pareceu fantástico. Os personagens já arquétipos de Battle Shounen conseguem convencer o espectador sem soarem forçados e destaco o senso filosófico de Armin, para uma criança, ele é muito racional. Claro que ele e Eren compactuam de uma mesma opinião sobre o mundo fora da barreira, mas ele me pareceu mais um questionador sensato do que um idealista que fica berrando que todos estão acomodados com suas vidas e que não passam de um “gado” enjaulado e burro. Provavelmente vai ser um ponto a ser discutido na série e eu achei até interessante, mas bem superficial por ter saido da boca de uma criança que aparenta não ouvir ninguém, diferente de Mikasa, que é uma sobrevivente. Eren agarrou a idéia de que o mundo fora dali pode ser melhor, mas ele de fato não sabe o que tem ali fora, ele não conhece a crueldade dos gigantes então todas as frases de efeito que foram ditas durante o episódio não passaram de “falácias” de alguém que acha que sabe, mas de nada sabe e com toda certeza isso vai mudar depois do que aconteceu.

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Foi a melhor estréia da temporada sem dúvida nenhuma, o episódio foi excelente e soberbo em todos os seus 24 minutos e 6 segundos, eu já assisti 3 vezes e ainda assim continuo tendo a mesma sensação da primeira.

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Nota: 10\10.

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