Shinsekai Yori – The End

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Para ser bem sincero eu ainda não sei muito bem o que falar sobre os desfecho de Shinsekai Yori, não esperava esse final, que deixou em mim uma melancolia que 1984 também deixou, em sua versão para as telonas. O fato de que o tempo todo a luta entre espécies, nada mais era que uma luta entre iguais, me chocou. Era uma possibilidade que já vinha sendo cogitada à muitos outros episódios, mas que na série não era muito abordada e mal deixava a entender que eles de fato também eram… Bom, vamos começar pelo episódio 24.

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A redoma de malevolência que construíram em volta do Messias, serviu de pilar para toda a tensão do episódio, os seus passos lentos e sua aparições quase que pré determinadas, conseguiram deixar quem estava assistindo a perseguição, totalmente submerso a situação. Satoru, Saki e o latente traidor Kiromaru, tinham em mãos uma arma poderosa para acabar com o espirito maligno. Não sabiam quando e nem a hora certa de dar o xeque-mate, entretanto o fato de ainda terem o psychobuster dava aos três um resquício de esperança e motivação para a vitória. Saki sempre suspeitou que de fato, o Messias não era um espirito maligno, mas Satoru, cegado por sua própria ira não podia, muito menos queria ver o que estava debaixo do seu nariz. Achei no minimo curioso a sequência do “Salvador” analisando o seu reflexo no espelho, a sensação que tive foi que ele – ou ela, como melhor preferir, já que no anime é menina e na novel é menino – teve por algum instante a dúvida de quem realmente ele era, mas acredito que lhe foi implantando um sentimento de “patriotismo” , similar ao americano, que se questionar em um momento como aquele era a atitude menos apropriada e mais banal que poderia ser tomada, logo ele reagiu. Satoru agiu por impulso, não calculou sua ação e se Saki não tivesse tanto medo de perder mais alguém, ele também estaria morto, ela ainda não queria o Messias morto e muito menos que Satoru fosse junto com ele.

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O trio novamente se encontra e pela primeira vez Kiromaru dá seu parecer sobre tudo aquilo. Ele não era um aliado, era alguém que estava lutando pela sobrevivência de sua espécie, que ao longo dos anos, sobreviveu. No diálogo entre ele e Saki, o medo de que sua espécie fosse exterminada é colocado como justificativa para sua busca por redenção e isso deixa mais claro o porque de fato ele talvez tenha se aliado a Yakomaru no inicio, mas que ao ver que tudo que ele havia planejado iria ruir e que sua rebelião, no momento já caminhava para o fracasso, decidiu novamente deixar que sua vila sobrevivesse, mesmo que isso ocasionasse sua morte. Existiu uma cumplicidade entre Saki e Kiromaru desde sua aparição, mas ele só se submeteu a isso como estratégia. Aposto que se a derrota dos humanos fosse eminente, ele teria matado Satoru e a própria Saki no momento mais apropriado.

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O episódio final se inicia de forma incrivelmente densa e bem executada, a lógica de que o parecer da morte só funcionaria se o Messias matasse quem ele acreditava que era um igual foi uma boa sacada, talvez um ato de desespero, mas uma boa sacada. O Slow motion e o background musical deu o tom e a nuance certa para o ataque suicida e em minutos, de uma luta sangrenta Kiromaru então sucumbe a morte, como um verdadeiro herói. O Messias cai e em sequência a consciência de Saki prega uma peça e assimila que a morte dele foi causada pela mesma, que imediatamente começa a sofrer com o parecer da morte. Minutos angustiantes, aflitivos e desesperadores, contidos por uma sequência de repetições intensas. Por fim Yakomaru é preso e todo seu plano se esvai de suas mãos. As sequências a seguir, foram um pouco atordoantes para mim, as coisas ditas são óbvias e o interrogatório no tribunal revela a verdadeira motivação do Squelar, ele também é humano. A morte seria boa demais para alguém que havia causado tanta destruição e descontrole, então resumiram sua existência em um monte de carne que agonizaria eternamente, sem ver, ouvir, falar ou tocar. Um vegetal de carne, consciente de sua existência. Satoru e Saki descobrem que os bakenezumis nada mais são que seres humanos considerados inferiores e que apresentavam perigo devivo a ausência do cantus, que foram modificados para aquela espécie asquerosa. Um plot twist, inteligentemente orquestrado nos minutos finais, que poderiam dar a trama um novo rumo, mas que no fim, se apresentou como um mero detalhe.

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Como em Psycho-Pass, Sibyl não é destronada, por motivos óbvios de que aquela sociedade, por enquanto, não saberia viver sem a sua existência, em Shinsekai Yori, Satoru e Saki, cientes de que a forma como o seu mundo funciona não é a melhor e também não é perfeita, simplesmente resolvem continuarem a sobreviver, sem se opor a nada, resolvem deixar seus papéis de protagonistas e se tornam coadjuvantes, se acomodam e rezam para que um dia o mundo se torne um lugar melhor. Isso nunca vai acontecer, nem na ficção e nem na vida real, a perfeição é complexa demais e o coração humano se corrompe por qualquer coisa que lhe seja mais atrativo do que se preocupar com o outro. Não existirá um sistema perfeito, existe os que funcionam, mas que são podres e cheio de segredos que pessoas normais talvez nunca se deem conta do que de fato acontece para ele funcionar, e os que sabem, ou abraçam a merda ou se abdicam dela, porque uma possível reforma pode causar a desestabilização de milhares de vidas.

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Shinsekai Yori foi uma mistura de story-driven com character-driven, oscilou muito bem nesses dois campos narrativos, pelo fato de que os personagens, desde seu início, pareciam ter suas vidas entrelaçadas com os rumos que sua sociedade tomaria. Eles não se colocaram no meio de todo esse caos, cresceram praticamente predestinados à isso e sem terem como fugir, abraçaram o seu trágico e pouco feliz destino. Baseado em alguns conceitos científicos e filosóficos o autor da obra original trouxe a nós a perspectiva de um novo possível mundo, pelo olhos de uma pessoa forte e totalmente frágil ao mesmo tempo, que vivenciou perdas incontáveis e dolorosas, mas que mesmo exitante tomou o seu fardo e carregou até o fim, guardando sua essência durante toda a catástrofe. O Desenvolvimento da história não é espetacular, mas se manteve a cima da média, mesmo com um direção de escolhas que as vezes soavam duvidosas. O baixo orçamento foi o fator de derrapagem da série, que as vezes eram gritantes, mas que ainda assim, continuou incrivelmente inspirada e poética, tanto em imagens quanto em diálogos. Recheada de erros, mas primorosamente dominada por acertos, Shinsekai Yori e seus personagens com toda a certeza foram e continuarão marcantes, para mim.

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