Shinsekai Yori – Episódios 9 e 10

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Como uma forma de mostrar minha forte tendência ao Illuminati, resolvi fazer um post comentando dois episódios de uma vez. Já deixo todos em alerta para as mensagens subliminares que pode conter nas entrelinhas deste texto – na verdade eu fiquei  muito ocupado semana passada e acabei deixando pra fazer o post assim -. Shin Sekai Yori - 09 - Large 09

Shun está “desaparecido” e Satoru tem a ideia mais óbvia e menos correta no momento, ir atrás do mesmo. Um dialogo sobre estarem sendo vigiados e logo em seguida a ida de Saki e Satoru a Pinewood, em busca de algumas informações. O caminho está cheio de cordas que formam uma barreira, com as mesmas cores que são usadas nas faixas policiais para afastarem os curiosos da cena de algum crime, e logo em seguida a barreira santa. Não por acaso um Bakenezumi aparece e eu chuto que ele estava ali para descobrir o que houve e reportar ao seu superior, e estou me referindo ao superior da sua aldeia e não aos humanos, mas é só uma suposição. Depois de ter assistido o episódio 10 que eu fui me tocar que a imagem da arvore com um rosto, poderia ser um dos pais do Shun, reparem também que há lagrimas ao redor dos olhos. O templo foi destruído e uma melancolia invade a tela seguida daquele belíssimo toque de recolher. A composição das cores e o contraste entre as tonalidades nesse momento especifico do episódio foi incrivelmente bem feito, conseguiu traduzir em imagem um misto de tristeza e incerteza que talvez teria perdido o valor se fosse exposto em palavras. Mesmo o episódio ter mais enfoque em Shun a interação quase que total fica por conta de Satoru e Saki, reafirmando que a série vai sim, girar em torno dos dois.

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O retorno de Saki a sua casa traz um clima denso e bem atípico, normalmente nos sentimos confortáveis e seguros quando estamos em casa, mas ali não é bem assim. Não sei se é pelo fato de que os adultos quase não aparecem interagindo com as crianças, mas é fato que a relação familiar não é tão calorosa naquela realidade, tanto que a cozinha tem cores bem sóbrias e de tons acinzentados. Conversas bem típicas entre adultos até que Saki questiona o desaparecimento de Shun. O silêncio, o medo e a repressão que as pessoas sofrem fica mais uma vez exposta e agora somos apresentados a Yoshima, irmã desaparecida de Saki, que já foi citada em episódios anteriores, de forma bem rasa, entretanto agora eu acredito que ela vá desempenhar um papel importante para o desenrolar da série. Saki fica um pouco atordoada com a lembrança da irmã, parece que ela não tinha nem um tipo de memória sobre ela e então acontece aquele susto com a creep-maria na janela e a descoberta dos Nekodamashi que foram ordenados a matarem efetivamente o Shun.



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Saki se prepara para a busca e como shinobi ela consegue sair da vila e ir atrás de Shun, mas o que ela mal sabia era que o que ela mais temia estava por vir.

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Esse episódio teve um feeling e um timing de suspense muito bom, a narrativa estava bem fluída e a edição extremamente inspirada, o que alguns chamam de “cortes de cenas desnecessários e desconexos”  eu chamo de direção inteligente. Não é em toda obra que isso funciona e não é em todo momento, porém em Shinsekai isso funciona de tal forma, que inconscientemente você fica ainda mais apreensivo e curioso com o que esta para acontecer nos minutos a seguir da tal “tela preta”. De praste alguns relaxos na animação, mas não tão gritantes assim. Um excelente episódio que dá a introdução para o que talvez, muitos nem imaginassem que viria a acontecer.

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O confronto com o Nekodamashi era inevitável e a não reação momentânea de Saki é óbvia, já que ela no início da série  tinha um medo absurdo só de imaginar, que de fato, ela poderia ser levada por um. Foi uma cena carrega de pura tensão, os minutos foram longos e claustrofóbicos, quando o gato enorme abocanhou ela pelo pescoço. Catatônica ela sussurra algum tipo de comando que acaba resultando no ferimento na boca do gato e jogando ele para longe. Mesmo ferido ele insiste em atacar e acaba sendo torcido feito um pano de chão. Que cena tensa, que cena linda! Tive surtos-twist-carpados nesse confronto e a fluidez e extrema beleza na composição do cenário ajudaram em grande parte para transporem o clima pesado e de um palpável descontrole psicológico que estava acontecendo ali, provando o que eu disse, Saki fica boa parte do episódio exausta, com um desgaste emocional e mental muito grande.

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Você deve ter percebido que toda aquela mudança repentina de cenário se deve ao descontrole do Cantus e basicamente o episódio situa o espectador ao que de fato tem acontecido com o mundo além da barreira santa.  A lógica do mundo está sendo alterada, o subconsciente humano tem dado a forma que bem entende a qualquer coisa, criando mutações e proporcionando evoluções na fauna e na flora.

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“Todos os problemas decorrem do coração humano, o autoconsciente é apenas a ponta do iceberg. O subconsciente abaixo da água é maior, muito além da comparação. Nosso subconsciente é maduro com o imprevisível, nosso cantus é a manifestação mais tangível disto. No caso de ações físicas, há múltiplos estágios entre o profundo início e o eventual efeito.A razão humana pode corrigir ou impedir completamente uma ação de ser tomada. O cantus, entretanto, funciona diferentemente. Podemos considerar que o início e a execução de uma ação sejam praticamente simultâneos. Embora possa ser a ação incorreta, não há tempo para corrigi-la.” 

 Saki: Usar nosso cantus não está atado a imaginar coisas muito específicas? 

 Algumas imagens mentais estão clara e conscientemente concebidas, enquanto outras envoltas nas trevas do subconsciente.Tentamos manter nossos cantis estritamente controlados através da hipnose e dos mantras,mas no fim, ele sempre escapa.Em certo sentido, estamos mudando o mundo ao nosso redor á vontade da nossa subconsciência.Tememos insanamente o que é gerado dentro de nós. É claro, os canti que escapam são débeis e não vão devastar o mundo da noite para o dia,mas se nossos pensamentos e idéias continuarem a se acumular e interferirem uns com os outros por um período estendido de tempo, não poderíamos prever os resultados.” 

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As imagens que contrastam com o que ele diz deixam ainda mais especifico o que ele quer dizer, de  início parece meio confuso, mas quando você processa tudo você entra em um transe  de pensamentos seguido de surtos, que só eu sei como é.  O cantus mesmo que contido ainda é “incontrolável” e para que as pessoas não tenham consciência de tudo isso elas vivem presas em suas vilas, vivendo suas vidas sob controle absoluto de superiores e temendo a si mesmos. A barreira protege o mundo dos humanos e a humanidade teme a si mesmo. Consigo enxergar claramente que toda aquela explicação sobre os efeitos colaterais que o cantus causa no mundo foi embasada no conceito de que ideias podem mudar o mundo, entretanto nem sempre é realmente a melhor mudança. Se pessoas que não compartilham de um mesmo ideal vivem em constante conflito, mesmo que pacifico, imagine se tudo o que você pensa que pode ser melhor, somado ao o que de fato seu subconsciente acha melhor, acontecesse, que mundo caótico viveríamos não? Obviamente deve existir outras interpretações ou talvez isso seja apenas um devaneio meu, mas prefiro acreditar nisso de fato.

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Por fim assistimos um fim dramático, caótico e psicodélico ao Shun, que cansado de viver com o descontrole da sua mente e subconsciente, se suicida, dizendo  aquilo que sempre guardou em seu coração. Foi poético, foi lindo, foi carregado de emoção e tudo isso em doses homeopáticas sem chororôs ou muito melodrama. As cenas da Saki suspensa no ar e o seu grito final mais uma vez falaram mais do que as palavras, a confusão, a falta de algo consistente em que ela poderia se apoiar naquele duro momento, a sensação de vazio e falta de rumo, tudo resumido ali, naquela cena quase impecável.

“eu tenho que continuar viva” 

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Palavras que agora, vão carregar um peso enorme nas atitudes e decisões tomadas pela Saki, não acredito que ela vá de repente se tornar forte e menos assustada, mas já evidencia uma postura mais madura, como a tomada no episódio 9. É, se a serie continuar nesse mesmo ritmo o Staff que foi escolhido para Shinsekai com toda certeza ganhará uma obra de peso como referência de trabalho. A preview deixou clara que Yoshima está viva, pelo menos foi o que eu entendi, e baseado nisso poderemos esperar que exista uma “cura” para a síndrome de Aphelbaram.

 O artstyle desse episódio é bem parecido com o do quinto, mas executado de uma forma mil vezes melhor que o mesmo, foi crucial para trazer à tona todas as sensações e climas do episódio. Talvez a grana para o episódio deve ter sido muito boa, ou  eles tomaram algum tipo de vergonha na cara. Não vou esperar os mesmo do próximo, mas prefiro acreditar que tende a sempre ficar melhor. A bgm estava incrível e caiu como luva para todo o episódio, assim como o trabalho dos seyuus novamente se mostraram de uma veracidade incrível. Minhas apostas para Shinsekai como o melhor do ano só andam aumentando, agora se de fato será o melhor, será outra história.

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