5 centímetros por segundo – Essência de Flor de Cerejeira

“Takaki-kun não seria legal se fossemos assistir às pétalas de cerejeiras juntos novamente?”

 Esse é o primeiro post sobre os três filmes, espero que gostem e quem ainda não viu, veja. E os que já viram, revejam.Falar sobre a singularidade do trabalho de arte é um tanto repetitivo para esta delicada e sutil obra, que encanta ao espectador com seus diversos detalhes musical, visual e narrativo. Acredito que é bem ousado e desafiador conseguir transpassar para um texto a carga dramática  pesada e envolvente que essa história possui, mas tentarei ser o mais claro possível.

A trama não se trata de coisas subjetivas, que fazem quem está assistindo pensar em possibilidades diferentes para o destino dos protagonistas, ela é firme, direta e cruelmente realista. Quando digo cruel, não falo de forma pejorativa, mas sim qualitativa, aquilo é real, pode acontecer comigo, com você ou talvez com algum conhecido, não se trata de uma fantasia ou um romance que te faz corar, ele te joga um balde de água gelada e cheios de cubos congelados de realismo.

O longa corre de forma extremamente tediosa e carregada de um melancolia sufocante, tanto pelos personagens, quanto pelo espectador e isso torna a experiência de acompanhar as cartas e a viajem de Takaki, uma forma ímpar de entender o personagem em suas palavras, sem achá-lo demasiadamente exagerado.

 Os takes constantes de coisas imperceptíveis e de ângulos que na maioria das vezes mostram os protagonistas de costas ou sem foco no rosto, demonstram a solidão, falta e vazio que os personagens sentem por estarem separados. Estão rodeados pelo mundo, porém o mundo não é nada se um não tem o outro por perto.

Ao final deste primeiro arco a mistura forte de vários sentimentos é exposta, felicidade, carinho, cuidado, delicadeza, tristeza, dor e o que move a esperança de duas pessoas a desejarem se ver ao menos por uma ultima vez, o amor. Sentimento puro que possui o triste fardo de causar sofrimento. Esse é o ponto cruel de 5 centímetros por segundo, a realidade da vida é outra, talvez não tão poética quanto as falas e as paisagens de um filme, mas é assim. Tudo pode correr bem, a vida continua, mas saudade – palavra que existe apenas no português – é algo que pode se tornar irreparável, principalmente somada a distância.

 

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