Jinrui wa Suitai Shimashita – Resenha

No futuro, a raça humana se encontra em decadência e logo estará extinta. A espécie evoluída que sobrepujara os humanos são as pequeninas e fofas fadas, que possuem alta tecnologia e são loucas por doces, se reproduzindo a uma velocidade espantosa. A personagem principal (que se refere a si apenas como “eu”, do japonês “Watashi”) é uma mediadora entre os seres humanos e as fadas.

Você deve estar pensando: que coisa mais sem noção é essa? Pois é, Jinrui wa Suitai Shimashita faz parte daqueles animes que utilizam o nonsense para criar algo inovador, que embora apresente um aspecto kawaii, surpreende com críticas ácidas feitas com um humor maduro e irônico. Um dos melhores da temporada de Verão 2012, infelizmente com apenas 12 episódios.

Na cena da fábrica misteriosa, que faz alimentos sintéticos de várias coisas não comestíveis, temos o ápice do primeiro episódio: o suicídio do pão-robô! Foi bem estranho ver aquilo, faz a gente pensar no que anda comendo por aí e nem sabe do que é feito… Uma crítica clara à sociedade capitalista.

Carma aêê minha gente! É só suco de cenoura~

Outra cena genial é a dos empresários corruptos galinhas evoluídas e violentas que assumem o poder. Nossa heroína é salva pelo seu assistente que nessa cena representa a imprensa, colocando as galináceas para correr ao som de Ave Maria ao fundo. Impagável.

A queda do Boss

O arco em que Watashi, seu assistente e sua amiga de infância Y ficam presos em um mangá mostrou que nem todo mundo tem a sorte da dupla da série Bakuman. Para ter sucesso, um manga-ká precisa ter conhecimento de certas manhas (como colocar uma revelação surpreendente no fim de cada capítulo kkk) para que sua série não seja cancelada. E é claro que essas manhas também não funcionam por tanto tempo, como vemos depois. E assim que a série é cancelada, o autor já com seus 30/40 anos, se vê “incapaz de se tornar um cidadão produtivo, e é obrigado a trabalhar no negócio da família”. Triste, mas um fato.

Não conte vitória antes do tempo…

Já o episódio nove foi o que amei de paixão, em que as fadinhas querem construir uma nação. São tantas referências e críticas histórico-culturais que tornam todo o episódio imperdível. Desde a construção da nação até sua decadência depois da escassez de recursos, vemos que as fadas não pensam de modo tão diferente de nós, humanos em rumo à extinção. Totalmente arquétipo, ou seja, todas as civilizações de forma ou de outra, cometem os mesmos erros.

Isso explica muita coisa ^^”

Olha, admito que boiei em algumas partes, pois o autor possui um repertório muito grande que faz referências aos mais variados assuntos. Mas, graças às notas de cabeçalho do fansub (Aenianos & AWH), pude compreender melhor algumas cenas.

Com todos seus personagens caricatos, mas que fogem de estereótipos, Jinrui é um anime que nunca me arrependeria de ter assistido. Mais que uma paródia, encararia a obra como uma desconstrução de gênero (assim como Evangelion, School Days e Mawaru Penguindrum ~claro que cada um do seu jeito~), com relação ao enredo, animação e pelo clima melancólico e depressivo que ele carrega. Afinal, os humanos deveriam ganhar o Prêmio Nobel pela capacidade de rir das desgraças que eles mesmos causaram, certo?

Lei de Murphy mode: ON

Obs: Não mencionei todos os arcos da história, mas o blog Chuva de Nanquim fez um ótimo post sobre Jinrui (que me mostrou a luz kkk), para conferir clique aqui.

te-hee~

Ja nee

Kitsune

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