Shinsekai Yori – Episódio 6

Voltando ao formato dos episódios anteriores ao quinto, esse não surpreende e nem te deixa confuso, mas volta a jogar com o subentendido deixando o espectador em estado de alerta, praticamente o tempo todo.

Acho válido lembrar a quem está assistindo que tudo está acontecendo dia após dia, não tem time skip e pelo menos para mim fica claro mais ou menos a hora do dia, usando essa lógica episódio todo ocorre durante a manhã e assim vai procedendo até mais ou menos o meio dia – uma suposição minha da hora exata, mas acredito ser interessante ressaltar isso, para não acharem que tudo está ocorrendo rápido demais -. O que isso pode ser interessante em vista de que Shinsekai tem muitas coisas para serem “explicadas”? Simplesmente para você entender que tudo está sendo jogado para eles de forma muito rápida, não dando tempo para os personagens divagarem sobre o que é exatamente tudo aquilo ou aquela situação, logo eles agem por instinto. Saki por sua vez tem o instinto aguçado e Satoru é mais selvagem e impulsivo, explicando assim a sua agressividade e todo o seu like a boss, que ocorreu durante as cenas de ação. Ele só quer sair dali e voltar para o conforto da sua vida pacata e contar algumas historinhas de terror para sua roda de amigos, pouco se importando se para isso ele precise assassinar algumas aberraçõezinhas “insignificantes”.

Dorgas level hard, Saki depois de tomar acido na rave dos Bakenezumis

Dorgas level hard, Saki depois de tomar acido na rave dos Bakenezumis

O interessante de Saki, que ao contrário do personagem feminino genérico, é que ela raciocina rápido, liga uma coisa a outra e toma uma atitude mais lógica e mais cautelosa mesmo com o tempo escasso que ela tem para o fazer. Já criei um vinculo com ela, esses dois episódios fortaleceram isso. As situações e atitudes dos primeiros episódios, nada mais eram que normais para crianças da idade deles e mesmo que talvez não seja isso, acredito que propositalmente eles tiraram algum atrativo que fizesse o espectador sentir alguma empatia na primeira assistida por todos os eles, particularmente agora acho isso genial, vi o mangá e lá eles são muito mais “simpáticos” do que na versão animada, me dando a sensação de foco nos personagens e não necessariamente no enredo. Não vejo isso como algo ruim, até porque personagens como Aladin sempre me arrebatam de primeira, entretanto analisando a forma como Shinsekai vem caminhando, ter mostrado que eles eram adolescentes na puberdade tão sem graças, com atitudes genéricas e um tanto chatos, fez quem está assistindo se deslumbrar com o novo mundo e com tudo que ele tem a oferecer, se surpreendendo tanto quanto os mesmos com as revelações do minhoshiro, talvez se fosse ao contrário a série poderia ter se tornado mais uma obra que trata de uma distopia e o caos de um mundo sobre uma nova ordem. Curiosamente Psycho Pass trata de um mesmo tema, claro que é o oposto de shinsekai, mas ali fica claro que o foco é no desenvolvimento do personagem a partir dos seus questionamentos quanto eficiência e coesão da justiça naquele mundo, já Shinsekai aparenta ir em direção da guerra e do caos, usando os personagens como um estopim.

momento trolando o garoto burro com o truque mais antigo que o imperador da luz

Voltando ao episódio. A cena de uma possível alucinação, não foi nada mais que Saki digerindo toda a informação que recebeu – nota-se isso pelo desconforto que ela tem ao minoshiro passar por usas pernas, remetendo a situação em que ela passa mal com o turbilhão de revelações que o mesmo disse – . Pode ter sido isso sim, mas o curioso é que eles não viram aquele minoshiro e sim o minoshiromodoki (minoshiro do diabo), assim prefiro acreditar também no que o Caetano disse no post de Shinsekai no Chuva de Nanquin. Vou repetir que o trabalho dos seyuus novamente foi notável e a interpretação de Risa enquanto recitava o mantra foi ótimo. Uma cena bem executada, visualmente e sonoramente, consegui sentir a importância que esse descobrimento pode ter futuramente e como o mantra  realmente tem um papel crucial de sobrevivência para o ser humano nessa realidade, se Saki hesitasse em tentar, Satoru facilmente teria sucumbido a tensão. Sobre a mudança de atitude, acredito também que o fato de seu cantus ter sido selado e liberado novamente tenha alguma ligação, mas prefiro acreditar que ele só estava agindo instintivamente – lembrando que os primeiros usuários de PK eram insanos -.

Nada me tira da cabeça que eles estão sendo enganados por esse Bakenezumi falante, mas essa probabilidade cai quando eu vejo imagens dele com os personagens mais velhos, porém ainda acho que é uma cilada bino. Outro ponto que quero discutir é a falta de qualidade nos Bakenezumis, acredito que seja proposital também, você olha para eles e tem um sentimento de repulsa misturado a pena, e novamente, no mangá eles são horríveis, então acredito que o detalhamento seria um pouco desnecessário e prejudicaria ainda mais a qualidade do anime, levando em conta o fato de ser animado pela A-1, que vem mostrando que uma história como Shinsekai não é o forte do estúdio.

Tecnicamente a única coisa grotesca foi mesmo o ataque das arvores parecendo aquele joguinho de cobrinha que vinha no nokia tijolão, mas só. O resto foi executado com competência, porém nada genial. A única coisa que realmente me incomoda é o fato da total ausência dos outros protagonistas, acredito que isso ainda pode estragar um bom desenvolvimento da trama, mas né, eu só acho. A interação de Saki e Satoru pareceu mais intima nesse episódio, a melancolia em dizer que estavam felizes de estarem juntos e isso era o que estava fazendo ambos continuarem, para mim, foi muito tocante, a expressão e entonação da voz remeteu perfeitamente a sensação de desgaste. Fiquei satisfeito e curioso para saber qual será o rumo e que tipo de atitude eles terão frente a toda aquela bicharada e a ausência de prévia não ajudou muito.

Obs: Notem que os bakenezumis se assemelham ao homem das cavernas, o ser humano em evolução. A fala estranha, os materiais que eles usam para confeccionar as armaduras e armas, o medo do desconhecido, a ponto de entrar em colapso e perder o rumo. Em resumo, eles meio que afirmam a teoria de Darwin, que o ser humano é uma evolução dos macacos, nesse caso, dos ratos – n.

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