Natsuyuki Rendezvous

Bom, como previsto, um bom anime, com uma qualidade técnica sutil, um traço e uma ambientalização muito bonita e que caiu como luva para a série, que foi uma das apostas para a temporada de verão, considerada bem fraca e sem grandes títulos.

Como já esperado, o desenrolar de toda a trama é lenta, a evolução dos personagens segue o mesmo ritmo e os diálogos passam longe de serem fracos ou ruins. Acompanhei a série tentando me ajustar ao que foi proposto desde o inicio, sem me afobar, propiciando a mim mesmo a degustação dos acontecimentos sem esperar grandes reviravoltas. O ponto de “ebulição” da trama começa a acontecer logo depois que Hazuki empresta seu corpo a Shimao, que aproveita da situação e tenta trollar de forma infantil a imagem de Hazuki – tentativa bem falha por sinal hoho -. É obvio que esse acontecimento é a premissa de uma catarse muito forte e intensa entre Rokka e Shimao ( se não fosse talvez nem certeza do amanhã eu teria, pfvr). Os episódios finais me causaram tamanha ansiedade, que confesso não ter tido nos anteriores, o dialogo, a revelação, a volta certa de hazuki para seu corpo, um momento pseudo- romeu e julieta e um epilogo que, pra mim, deixou a desejar.

Achei interessante a forma sutil e ao mesmo tempo atirada de Hazuki, convincente as duvidas e questionamentos de Rokka pra saber se rola ou enrola (no programa da Eliana n) e um tanto tedioso e chato a ladainha do Shimao. É, pra mim foi muita ladainha, muito mel com leite condensado e diria que até um pouco desnecessário todo aquele drama de não querer deixar a Rokka seguir em frente. Uma atitude egoísta, mascarada por uma necessidade de ressarcir um tempo que jamais voltaria. Em momento algum senti simpatia ou pena de Shimao, teve uma história triste, morreu jovem, porém não me convenceu a ponto de querer que ele tivesse um final feliz, aliás, acredito que ele basicamente se encaixa naquela lenda do filme O grito, mas sem o ódio, rancor e as cenas tensas, um tipico morto que não aceita seu “destino” e pende para obsessão. Ele é bem explorado, e diria que é até exagerada a forma como é focada a sua falta de saúde e uma quase “sociopatia”, a relação dele com as flores é o que me mais me interessou. De forma consciente e inconsciente ele projetava seus sentimentos na maneira de escolher as cores, as espécies e na forma de como seriam colocadas em um arranjo, ficou bem nítido o quanto suas atitudes e palavras grosseiras o serviam apenas de escudo. Rokka por sua vez, foi a personagem que mais foi fodida emocionalmente, a dor da perda, a ausência, a duvida de se abrir ou não a um novo amor, a decepção por ouvir palavras erradas nos momentos errados, os flashbacks de momentos com Shimao estando com o Hazuki, a volta do que não foi, a perda de quem voltou, não seria nada fora do contexto se ela ficasse louca e dependente de drogas ilegais ou recomendadas por psicólogos, porque olha, tá difícil amar até nos animus minha gente. Ela é independente, e isso já fica bem claro só pelo fato de, ainda jovem, ter o corte de cabelo relativamente curto – que é adotado por mulheres fortes, geniosas e decididas – porém apesar desse fator, Rokka é muito frágil em certos aspectos. um personagem que te cativa a cada episódio, seja pela sua meiguice ou pela forma como é descrita por ambos os “pretendentes”. Hazuki tem cara de sono (assim como eu ultimamente), é apresentado como jovem inexperiente e um tanto inocente, vai tendo uma gradual maturidade no decorrer dos episódios. A forma juvenil com que ele encara algumas coisas, principalmente seus sentimentos abrilhanta a trama de uma forma bem agradável e proporciona diversos momentos engraçados, poderia ter sido melhor explorado, claro que sim, mas acredito que o plot da série não era se focar tanto nos personagens individualmente, mas sim nas situações, reações e reflexões que toda aquela vivencia os oferecia. Achei o final corrido, e o epilogo um tanto decepcionante, mas não a ponto de prejudicar toda a obra.

Natsuyuki não é um anime marcante e também não aparenta querer ser, mas é uma ótima história, contada de forma delicada e sutil, feito, infelizmente para pessoas que não só querem ver pancadarias e coisas “costumeiras” em animes, mas para espectadores que se entregam ao que está presenciando, deixando-se levar mais pelo emocional, do que pelo racional.

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