Mahou Shoujo Madoka Magica (Parte 1)

Sem sinopse, sem apresentação de personagens e sem firulas, na minha opinião o melhor de 2011. O porque você sabe, caso não, siga-me os bons.

Roterizado por Gen Urobochi, animado pela Shaft, Madoka Magica chegou como um mahou shoujo comum, garotas que fazem contratos com bichinhos fofinhos que “precisam” de ajuda e heroínas que se rendem ao sabor de “salvar o mundo”, só que não.

Idealizado provavelmente como uma desconstrução de gênero, o anime adiciona intencionalmente temas dificilmente abordados em um mahou shoujo e nós desatentos espectadores somos surpreendidos por atitudes inesperadas e “chocantes” das protagonistas fofas.

Kaname Madoka preza pelo bem de todos ao seu redor e coloca aqueles que ama em primeiro lugar, é o que é dito, mas na verdade vemos uma atitude totalmente contraditória ao longo da trama. Sim, ela quer que todos estejam bem, mas por alguns motivos ela hesita em se tornar uma garota mágica e isso é nitidamente traduzido como egoísmo – diria que talvez seria amor próprio mesmo – claro que sua hesitação se deve as intervenções da Akemi Homura – stalker fazendo cosplay de amiga n – . Madoka é totalmente passiva quanto aos acontecimentos, fica de longe observando o quão satisfatório poderá ser tornar-se uma garota magica , já que a própria se acha uma pessoa inútil e totalmente descartável. A relação dela com seus familiares, é mostrada de forma natural e em momento nenhum soa como forçada, ela, como algumas garotas tem sua mãe como referencial de mulher e como amiga confidente. Relação que é afetada no decorrer dos episódios e diria que, mesmo não sendo o foco principal, foi um dos “temas” que depois de ver algumas vezes o anime todo, me chamou certa atenção.

Em vários momentos Madoka é apontada como a maior (brasileira de todos os tempos) mahou shoujo de todos os tempos, esse poder todo é dada a dedicação da Akemi Stalker Homura tentar diversas vezes alterar o futuro dela. Um único episódio foi preciso para mostrar a força e a conexão entre Homura e Madoka sem parecer jogado ali só para justificar as ações da Homura. Por fim, Madoka aceita se tornar uma garota mágica e tem um desejo, que confesso que da primeira vez eu fiquei pasmo em ouvir – mesmo parecendo óbvio -, salvar todas as garotas do destino de serem consumidas pelo desespero – que é gerado como equilíbrio de sua esperança e desejo – de se tornarem Bruxas, fato que foi uma sacada genial do sr.Urubochi. Madoka se torna uma divindade que zela por todas as garotas mágicas e a “salvação” gera um enorme desespero que é dissipado pela mesma – e isso vai ser comentado em outro post -.

Para muitos Homura foi a personagem principal, e isso é um fato dependendo do ponto de vista. Porque mesmo os holofotes todos virados para ela nos últimos episódios Madoka finaliza a trama se despindo do seu amor próprio, saindo da sua zona de conforto e existência para um bem muito maior. Desejo que seria possível a qualquer uma, mas que somente ela teve a percepção necessária para concebê-lo.

É obvio que eu ainda vou falar muito mais sobre Madoka mágica, que em minha opinião foi ótimo em vários sentidos. É um clássico, foi muito gratificante e prazeroso ver o nascimento de um anime que pode, e espero que influencie diversas obras no decorrer dos anos.

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